Editorial

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Por uma saúde bucal mais digna

 

A classe odontológica está dando os primeiros passos na direção do engajamento coletivo para uma saúde bucal merecedora da população. As mudanças anunciadas pelo Ministério da Saúde para a reforma do Programa Nacional de Atenção Básica (PNAB), sem levar em conta as mais de 6 mil participações na Consulta Pública, desagradou às entidades, à saúde pública e aos cirurgiões-dentistas.

A ABCD tem acompanhado e participado desse necessário engajamento, apoiando a classe política que está trabalhando para resgatar o Brasil Sorridente, trazendo ao rigor da lei a saúde bucal como parte integrante do SUS (PL 6836/2017, de autoria de Jorge Solla) e a Audiência Pública que procura reunir de modo relevante o apoio à medida. Muitas manifestações nesse sentido correm o País.

Voltamos a este tema porque o Brasil teve um alento significativo na queda da cárie infantil na década passada, graças ao programa nacional de saúde bucal chamado de Brasil Sorridente.  Com ele decresceu o índice de cáries na infância, a população descobriu que poderia ter uma boa saúde bucal e o que isso representaria em termos de saúde integral e qualidade de vida, com melhores resultados em todos os campos: no pessoal, no profissional, nos níveis de saúde, enfim, pessoas mais completas e mais felizes. Sem esquecer a geração de idosos que trocou bocas desdentadas por próteses nos Laboratórios de Próteses Dentárias (LPD), deixando de lado as exodontias  para ganhar novos sorrisos, mais alegrias e existência mais longeva, além de brasileiros de todas as idades com acesso aos Centros de Especialidades Odontológicas: menos dor, mais saúde, mais sorrisos.

A educação bucal – que deve andar de mãos dadas com a criança desde o nascimento – ainda é um sonho distante para grande parcela da população, principalmente a desprotegida e sem recursos, tanto nas capitais como nos distantes rincões deste país de dimensões continentais. Mas há esperanças também neste patamar inicial da vida de nossas crianças, como ficou provado pelo programa do qual a ABCD executou em São Paulo e no Rio de Janeiro, que interagiu com crianças em idade de alfabetização para junto ensinar-lhes tanto a ler e escrever como a aprender a escovar os dentes. São hábitos que vão perdurar por toda a vida.

A ABCD vê a saúde bucal da população, neste momento crucial de mudanças na PNAB, enfrentando um desafio que somente poderá ser vencido com o envolvimento de toda a classe odontológica, em todas as suas faces: a educacional, formando novas gerações de cirurgiões-dentistas e envolvidos; a profissional, alerta e participativa nas decisões que vão traçar os novos rumos da Atenção Básica, e que estas incluam obrigatoriamente patamares já alcançados, sem retrocessos à saúde bucal, com entidades de classe que são a voz da Odontologia e devem estar em uníssono defendendo os direitos da sociedade e, finalmente, o mundo corporativo de nosso setor, que tem força econômica suficiente para dialogar com as autoridades governamentais, como empresas superavitárias que são.

Todos juntos seremos sempre mais fortes – e repito este slogan por acreditar  que só assim seremos capazes de construir um sorriso saudável para a população brasileira: envolvendo-se, opinando com coragem e defendendo condições que possam maximizar a saúde bucal e não rebaixá-la a patamares inferiores aos que  já ocupou.

 

Silvio Cecchetto

Presidente da ABCD

2017-09-29T14:46:36+00:00 setembro 29th, 2017|Categories: Eventos, Notícia|0 Comentários