ESPECIAL:Convenção de Minamata e o amálgama dental ABCD e ADI abraçam conscientização sobre Odontologia Sustentável

///ESPECIAL:Convenção de Minamata e o amálgama dental ABCD e ADI abraçam conscientização sobre Odontologia Sustentável

ESPECIAL:Convenção de Minamata e o amálgama dental ABCD e ADI abraçam conscientização sobre Odontologia Sustentável

A ABCD e a Academy of Dentistry International (ADI)-Capítulo Brasil promoveram dia 1º de fevereiro, durante o Ciosp o V Simpósio de Odontologia Sustentável, sob o tema Convenção de Minamata no Brasil – Impactos sobre o uso do Amálgama Dental, com a participação de todos os setores da Odontologia.

O prof. Cláudio Fernandes, assessor científico internacional da ABCD e coordenador do evento, abriu o simpósio falando da Visão 2020, projeto criado pela FDI para orientar diretrizes internacionais para a saúde, com trabalhos em equipes que envolvem a saúde pública e coletiva, planos de saúde, com interfaces entre a pesquisa e a educação com o objetivo de criar temas emblemáticas como a Sustentabilidade.

“É urgente que o tema seja incluído na Odontologia.Variados aspectos da sustentabilidade estão nas primeiras páginas de todos os jornais, do mundo todo”, enfatizou ao destacar que a Convenção de Minamata já envolve 154 países ao redor do mundo com o objetivo de eliminar o uso do mercúrio em todas as suas aplicações, inclusive o amálgama dental, tem grande impacto na contaminação do meio ambiente por mercúrio e está intimamente ligado aos riscos para a saúde humana.

Desde 1º de janeiro deste ano está proibido o uso de mercúrio e liga de amálgama na forma não encapsulada em Odontologia (RDC 173/2017). Os serviços de saúde e clínicas devem seguir as orientações da RDC 222/2018 que explica como proceder em relação a resíduos de serviços de saúde.

Para o prof. Claudio Fernandes, no Brasil os rejeitos não são bem cuidados e a primeira resolução efetiva foi a proibição do uso do mercúrio na forma não encapsulada.

“Entendemos que é necessário debater com a sociedade odontológica como colocar em prática as medidas necessárias e como estamos diante do mundo. A ABCD e a UFRJ são responsáveis no Brasil pela elaboração de protocolos, com o apoio das demais entidades como a ABO e a Abimo, entre outras. É de extrema importância para a Odontologia mobilizar toda a classe e Silvio Cecchetto, presidente da ABCD abraçou esta causa com o apoio dadas demais entidades como a ABO e a Abimo,CFO e CROSP, entre outros, e vamos, todos juntos, com o apoio da Universidade, da Indústria, do Governo e da classe trabalhar nessa conscientização em prol da saúde bucal, da saúde humana e da Sustentabilidade na Odontologia”, afirmou Fernandes.

O Brasil, o Amálgama Dental
e a Convenção de Minamata

No V Simpósio de Odontologia Sustentável,com a presença da presidente da FDI, Dr Kathryn Kell, e também nomes da área de sustentabilidade (prof. Claudio Fernandes – UFF, organizador do evento), tanto na indústria (Abimo) quanto na pesquisa e educação (profa. Silvia Maria R. de Alencar Gonçalves – GBPD;  profa. Miriam Turbino – FOUSP), Thais Cavendish (Coordenadora Geral de Vigilância em Saúde Ambiental  (MS) apresentaram o momento que o Brasil vive, desde que começou a discutir a questão em 2009 no tratado internacional, tornando-se signatário do compromisso em 2013, promulgando o decreto nº 9.470 de agosto de 2018, em Kumamoto.

A ciência sempre descobre novos caminhos, novas oportunidades e novas necessidades. A vida moderna exige mais e mais que se empreguem recursos para minimizar danos, que se estudem caminhos alternativos e que se reavaliem os anteriores.

Assim acontece com o mercúrio utilizado em larga escala no auge do desenvolvimento da ciência odontológica. O amálgama não é vilão e mostrou isso ao longo de sua existência: é um excelente material restaurador, com uma vida funcional em torno de mais de 30 anos, não dependente de uma técnica aprimorada e capaz de levar os melhores escultores à loucura por suas esculturas delicadas na devolução da forma dental perdida. Mas para se trabalhar o amálgama dental, é necessário mercúrio metálico e limalha de prata e o uso inadequado do mercúrio tornou-o um vilão ambiental.

Na sua forma química de metilmercúrio – a forma mais tóxica, foi o causador de uma infinidade de problemas neurológicos de imensas proporções na Baía de Minamata nos anos 50/60. Uma indústria o despejava na baía e os peixes acabavam contaminados e contaminavam toda a população que fazia deles suas refeições.

Preocupados com o uso inadequado do mercúrio nos garimpos, com a volatilização ocorrida nos crematórios e por manipulações e descartes inadvertidos que causaram danos a muitas pessoas, a Convenção de Minamata reuniu países e determinou uma série de prazos para a redução do mercúrio em todas as suas formas e o prazo está próximo – a partir de 20. O uso do amálgama dental na forma encapsulada está permitido e ainda não tem data limite para encerramento. Hoje em dia, pela questão estética na Odontologia, prefere-se as resinas como material restaurador, pois devolvem a cor natural do dente que foi afetado pela cárie ou por um trauma e só este fato já tem permitido o decréscimo do uso do amálgama dental em grande parte dos consultórios odontológicos. Ainda teremos que repensar os serviços públicos e continuar a pensar em como realizar a remoção de restaurações antigas, quando necessária, em função da coleta e do descarte apropriado que o material exige. Os pesquisadores já têm se mobilizado para desenvolver materiais que possam substituir o amálgama à altura.

No Ciosp 2019, o V Simpósio de Odontologia Sustentável trouxe essa discussão reunindo grandes e importantes nomes, como a presidente da FDI, Dr Kathryn Kell, e também nomes da área de sustentabilidade (prof. Claudio Fernandes – UFF, organizador do evento), tanto na indústria (Abimo) quanto na pesquisa e educação (profa. Silvia Maria R. de Alencar Gonçalves – GBPD; e, profa. Miriam Turbino – FOUSP), que junto ao Ministério da Saúde (Thais Cavendish, Coordenadora Geral de Vigilância em Saúde Ambiental) apresentaram o momento que o Brasil vive, desde que começou a discutir a questão em 2009 no tratado internacional, tornando-se signatário do compromisso em 2013, promulgando o decreto nº 9.470 de agosto de 2018, em Kumamoto.

O evento foi patrocinado pela METASYS, SDI e IVOCLAR-VIVADENT, com ativa participação de seus representantes no debate defendendo a importância do engajamento da indústria na busca por mais sustentabilidade.

“Muito do que a convenção almejava o Brasil já cumpriu, mas ainda teremos que monitorar as remoções mas ainda teremos que monitorar as remoções de restaurações, utilizando-se de filtros capazes de recolher os resíduos mais diminutos, observando a necessidade de armazenamento adequado e descarte apropriado, e educar nossos futuros profissionais a adquirirem consciência ambiental em todos os aspectos da nossa profissão”, destaca a profa. Mary Carolina Skelton (USP), indicando as  direções que a Convenção aponta para  a área da Odontologia.

Direções para a  Odontologia

São estas as direções que a Convenção indica para a área de aplicação:

Parte II: Produtos sujeitos ao Artigo 4, parágrafo 3 (Art. 4, Parag. 3: Cada Parte deverá tomar medidas em relação aos produtos com mercúrio adicionado listados na Parte II do Anexo A em conformidade com as disposições nela estabelecidas).

Parte II: Produtos sujeitos ao Artigo 4, parágrafo 3 (Art. 4, Parag. 3: Cada Parte deverá tomar medidas em relação aos produtos com mercúrio adicionado listados na Parte II do Anexo A em conformidade com as disposições nela estabelecidas).

Produtos com mercúrio adicionado – Dispositivos

Amálgama dentário – Medidas a serem tomadas por uma Parte para a redução do uso dos amálgamas dentários, tendo em conta as circunstâncias nacionais da Parte e orientações internacionais relevantes, e devem incluir duas ou mais medidas dentre as listadas abaixo:

  1. Estabelecer objetivos nacionais visando à prevenção de cáries e promoção de saúde, minimizando assim a necessidade de restaurações dentárias;
  2. Estabelecer objetivos nacionais visando a minimizar seu uso;
  3. Promover o uso de alternativas sem mercúrio com bom custo-benefício e clinicamente eficazes para restaurações dentárias;
  4. Promover pesquisa e desenvolvimento de materiais de qualidade e livre de mercúrio para restaurações dentárias;
  5. Incentivar organizações representativas de profissionais e escolas de odontologia a educar e qualificar alunos e profissionais odontólogos no uso de restaurações dentárias sem mercúrio e na promoção de melhores práticas de gestão;
  6. Desencorajar políticas e programas de seguros que favoreçam o uso de amálgamas dentários em vez de alternativas sem mercúrio para restaurações dentárias;
  7. Incentivar políticas e programas de seguro que favoreçam o uso de alternativas de qualidade para amálgamas dentários em restaurações dentárias;
  8. Restringir o uso de amálgamas dentários à sua forma encapsulada;
  9. Promover o uso de melhores práticas ambientais em consultórios odontológicos a fim de reduzir as liberações de mercúrio e compostos de mercúrio na água e no solo.
2019-02-11T13:01:01+00:00 fevereiro 11th, 2019|Categories: Eventos, Notícia|0 Comentários