Uma iniciativa pela saúde bucal em tempos de Covid-19

Grandes empresas, entidades de classe, associações e profissionais de destaque da odontologia unem esforços para criar um serviço de informação e educação aos cirurgiões-dentistas. O objetivo principal é disseminar orientações e recomendações quanto ao atendimento odontológico durante a quarentena e o período de prevenção que ainda não tem data certa para acabar.

Trata-se da campanha Todos Pela Odontologia, que vem reforçar a importância da saúde da boca num momento de alto risco de contaminação pela Covid-19 e orientar profissionais e pacientes quanto às medidas de segurança necessárias para os atendimentos, além de fornecer informações que colaborem com o crítico momento econômico e administrativo.

A saúde bucal é parte fundamental da saúde do corpo e pode ser a diferença no sucesso de tratamentos de muitas doenças. Estar com a saúde bucal em dia é essencial para enfrentar esse momento de incertezas e riscos de saúde.
“Como profissionais de saúde, cabe aos cirurgiões-dentistas garantir a saúde dos seus pacientes por meio do exercício de sua profissão”, afirma Dr. Wilson Chediek, presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD). “Neste momento de pandemia, principalmente, é nossa responsabilidade orientar os pacientes sobre as necessidades e cuidados com a saúde bucal e as doenças relacionadas. Essa campanha vai reforçar o conhecimento e levar informação a profissionais e seus pacientes, além de ressaltar que os profissionais de odontologia estão capacitados a realizar com segurança todos os procedimentos necessários durante o atendimento”, completa.

A campanha Todos Pela Odontologia tem previsão de duração de seis meses. É uma iniciativa da ABIMO, com realização da APCD, em parceria com a ABCD, CFO, CROSP, ABO, FNO, ABRO, TDB e ABLOS, e com o apoio das empresas Agência Cadaris, Colgate-Palmolive, Dabi Atlante, D700, Dental Cremer, Dental Speed, Dentsply Sirona, Envista – KaVo do Brasil, Fenelon, Kulzer Brasil, LM-Dental, Polydentia, Quinelato, Rádio Memory, Saevo, Sulzer Mixpac e 3M.

Para o Dr. Silvio Cecchetto, presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas (ABCD) “o Todos pela Odontologia é um movimento que traz nossos cirurgiões-dentistas para a arena da pandemia que coloca em risco a vida de todo ser humano, no Brasil e no mundo”. “Importante destacar o papel preventivo que este profissional exerce, face a todos os procedimentos odontológicos que executa e que exige rigor e perícia”, destaca o dirigente. “E é esta preocupação e preparação que vai possibilitar tanto um atendimento seguro e eficiente ao paciente vítima do coronavírus, como para a própria saúde, enquanto integrantes das equipes convocadas pelo Ministério da Saúde”, afirma Cecchetto, que reforça ser bom lembrar “que juntos seremos sempre mais fortes, formando um elo entre nossas entidades em prol de nossos pacientes e da população”.

A primeira etapa da campanha Todos Pela Odontologia focará em biossegurança. Em breve, um portal de notícias será lançado com tudo o que os cirurgiões-dentistas precisam saber para garantir a sua segurança e a de seus pacientes. O portal também levará informações sobre pleitos e ferramentas que auxiliem em estratégia de negócio para que os consultórios odontológicos continuem funcionando frente a tantos desafios econômicos.

Os cirurgiões-dentistas sempre trabalharam com equipamentos de proteção individual (EPIs) e protocolos de biossegurança, para a sua própria proteção e para proteger os seus pacientes. Faz parte da rotina do cirurgião-dentista trabalhar de máscara, óculos, luvas e touca, e sempre higienizar superfícies e instrumentos entre um e outro paciente. Porém, no cenário de pandemia, os cuidados foram intensificados em função da velocidade e do maior risco de contaminação do novo vírus.

Nos atendimentos odontológicos que requerem uso de equipamento com aerossol, como alta rotação, ultrassom e seringa tríplice em forma de névoa, os riscos de contaminação são maiores. Por isso, os protocolos rígidos de biossegurança em seu dia a dia foram ampliados e intensificados seguindo orientações dos organismos nacionais e internacionais de saúde.

Estão sendo estabelecidos protocolos rigorosos de segurança que mitiguem riscos da contaminação, desde o momento da marcação de consulta, da anamnese com o paciente, da chegada na sala de espera, até quando ele é encaminhado para a equipe do cirurgião-dentista, do atendimento ao pós-atendimento.

Esses protocolos envolvem utilização de roupas e equipamentos de proteção individual (EPIs) próprios para o cirurgião-dentista, auxiliar, paciente e secretária, espaçamento entre consultas e o tempo adequado para fazer a devida esterilização, higienização, desinfecção e limpeza dos ambientes onde o atendimento odontológico foi realizado.

Atendimento durante a pandemia
Outro ponto relevante é a disponibilidade dos EPIs. Hoje, encontramos dificuldades não só para a odontologia, mas para a saúde em geral, e globalmente, pelo momento crítico de pandemia. Então, precisamos ter bom senso e equilíbrio na tomada de decisão de atendimento odontológico. Por isso, tudo deve ser avaliado pelo cirurgião-dentista. Só ele pode definir os atendimentos que devem ser realizados neste momento e recomendar todos os protocolos de segurança.

Uma dúvida que pode surgir é quando se deve ir ao cirurgião-dentista durante o período de pandemia. Dr. Wilson Chediek explica que o ideal é, antes de tudo, focar na prevenção. “Não podemos esperar ficar doente para procurar o tratamento, por isso, temos de lembrar sempre: a saúde começa pela boca. O recomendado é procurar o cirurgião-dentista a cada seis meses ou no máximo em um ano, e manter a saúde bucal em dia”, diz.
Durante a pandemia, o cirurgião-dentista deve orientar o paciente quanto à melhor solução para o atendimento. Dr. Chediek, entretanto, enfatiza que no dia da consulta, antes de sair de casa, o paciente tem que ter a consciência do seu estado de saúde, e se tiver algum sintoma suspeito deverá informar o
profissional. Ou seja, é importante que o paciente e o cirurgião-dentista estabeleçam esse contato pré-atendimento. E no consultório, deverá ser feita a anamnese indicada.
A biossegurança começa antes da consulta, cirurgião-dentista e paciente se falam para saber se há sintomas de gripe, resfriado ou febre e definir se deve ou não ir ao atendimento odontológico. Caso vá ao cirurgião-dentista, o paciente deve tomar todos os cuidados no trajeto e, assim que chegar ao consultório, higienizar as mãos e fazer a higiene bucal, com uso de enxaguatório bucal.

A campanha
Muitas informações de biossegurança serão amplamente informadas no portal do projeto Todos Pela Odontologia. Materiais essenciais para o profissional, para o paciente e muito conhecimento sobre como é importante manter a saúde bucal em dia para enfrentar esse risco de saúde ao qual todos estão expostos. A saúde bucal em dia pode ser a grande diferença na recuperação de um paciente.
Além da ampliação dos critérios de biossegurança, a campanha abordará assuntos sobre estratégias e ferramentas importantes na administração do consultório odontológico, que auxiliem o cirurgião-dentista a passar pelos desafios econômicos deste momento, com aumento do custo do atendimento odontológico, redução do número de consultas, necessidade de novos aparatos que mitiguem o risco de contaminação e a nova forma de atendimento odontológico que está surgindo com a pandemia.
Muitos pleitos estão em andamento no sentido de obtenção de suporte econômico, linhas de crédito e postergação de impostos, entre outros.
Todos pela Odontologia será um marco na odontologia brasileira.